Se você anda pesquisando preço de celular, provavelmente já teve a mesma sensação que eu: os modelos novos estão chegando mais caros, e alguns vêm até com menos memória do que a geração anterior. Ou seja, não é impressão sua. O mundo está passando por uma crise de memória RAM, e ela já está mexendo no bolso de quem precisa trocar de aparelho. Por isso, a pergunta do momento é: o celular vai ficar mais caro ainda?
Neste artigo eu explico, sem complicação, por que o celular vai ficar mais caro, quanto isso pode pesar e, principalmente, o que eu faria se precisasse comprar um celular agora. Sou de classe média, conto cada real, e escrevi pensando em quem está na mesma situação.

Por que o celular vai ficar mais caro?
A explicação cabe em uma frase: a inteligência artificial está “comendo” a memória do mundo.
Afinal, as fábricas que produzem memória RAM (a DRAM) e armazenamento (a NAND) são as mesmas que fabricam um tipo de memória especial, a HBM, usada nos servidores de inteligência artificial. Porém, vender para os grandes data centers dá muito mais lucro. Por isso, as fabricantes passaram a priorizar esses clientes, e sobrou menos memória para celulares, notebooks e TVs.
Um detalhe importante: segundo o site Oficina da Net, não falta matéria-prima. O que mudou foi a prioridade. Além disso, como fábrica de chip não se constrói de um dia para o outro, a oferta demora para voltar ao normal.
Os números da crise
Gosto de números porque eles mostram que não é exagero. Olha só o que as consultorias e a indústria estão dizendo:
- Preço da memória disparou: segundo a TrendForce, o preço de contrato da DRAM subiu entre 90% e 95% no primeiro trimestre de 2026 em relação ao trimestre anterior. No segundo trimestre, a DRAM subiu mais 58% a 63%, e a memória NAND, de 70% a 75%.
- 1 GB de RAM ficou mais de quatro vezes mais caro: o Oficina da Net calcula que 1 GB de RAM para celular custava cerca de US$ 2,80 em 2025 e hoje sai por volta de US$ 12.
- Memória pesa mais no custo do aparelho: de acordo com a Abinee, a memória já representa de 15% a 20% do custo total de um celular, cerca do dobro do que era antes.
- Repasse ao consumidor: a Abinee afirma que os fabricantes repassaram pelo menos 20% de aumento em computadores e smartphones até o fim de 2025. Em relatório divulgado em 2026, a entidade projetou que o preço final de eletrônicos pode ficar até 30% mais caro.
- Previsão global: a IDC estimou alta de 3% a 5% no preço médio dos smartphones em 2026, podendo chegar a 8% no cenário pessimista, e disse que a crise deve se estender até 2027.
| Indicador | O que aconteceu | Fonte |
|---|---|---|
| Preço da DRAM (1º tri 2026) | Alta de 90% a 95% | TrendForce |
| Custo de 1 GB de RAM | De US$ 2,80 para cerca de US$ 12 | Oficina da Net |
| Peso da memória no celular | 15% a 20% do custo total | Abinee |
| Preço médio dos celulares em 2026 | Alta de 3% a 8% | IDC |
Exemplos que você já pode ver nas lojas
Enfim, a teoria já virou prática. Alguns exemplos que chamaram a minha atenção:
- Galaxy S26: a versão de entrada manteve o preço de R$ 7.499, mas passou a vir com 256 GB. Já o Galaxy S26+ subiu 8,2%, de R$ 8.499 para R$ 9.199.
- Google Pixel 11: o modelo básico ficou cerca de US$ 100 mais caro que o Pixel 10 nos Estados Unidos.
- Pixel 11 Pro: a versão básica caiu de 16 GB para 12 GB de RAM, compensando com o dobro de armazenamento.
- Xiaomi: executivos da marca já avisaram que os próximos modelos vão custar mais por causa da memória.
Mas repare num detalhe: nem sempre o preço sobe. Às vezes a marca segura o valor e corta a memória. Por isso, ao comparar um modelo novo com o antigo, olhe a ficha técnica com atenção.

Quem sofre mais com a crise
De acordo com a IDC, as marcas chinesas que trabalham com margem de lucro menor, como a Xiaomi, são as que têm mais chance de repassar o aumento ao consumidor. Apple e Samsung têm mais dinheiro em caixa e mais poder de negociação com os fornecedores, então conseguem segurar um pouco mais.
Além disso, tem outra tendência que me preocupa: os celulares de entrada podem vir com menos RAM. Assim, para quem compra celular barato, isso significa aparelho que fica lento mais cedo. É exatamente o tipo de compra que parece economia e vira prejuízo dois anos depois.
Se o celular vai ficar mais caro, vale comprar agora ou esperar?
De fato, essa é a pergunta que todo mundo me faz. A minha resposta honesta é: se você precisa trocar de celular nos próximos meses, esperar não deve ajudar.
A IDC e a Abinee falam em pressão nos preços durante 2026 e 2027. Ninguém sabe a data exata em que a crise vai acabar, mas não existe sinal de que os preços vão cair de repente. Pelo contrário, os modelos que forem lançados nos próximos meses já serão produzidos com memória mais cara.
Por outro lado, os modelos que já estão no mercado foram fabricados antes e estão entrando em promoção. É aí que mora a oportunidade.
O que eu faria no seu lugar
- Precisa trocar agora? Compre um modelo já lançado, que está em promoção, em vez de esperar o próximo lançamento.
- Pode esperar um mês e meio? Aproveite a Black Friday, mas com cuidado. Eu explico como fugir das armadilhas no artigo sobre celular na Black Friday 2026.
- Não abra mão da RAM: em 2026, eu não compraria celular com menos de 6 GB de RAM. Se der, prefira 8 GB.
- Considere o topo de linha do ano passado: modelos da geração anterior costumam cair bastante de preço. Um exemplo é o Motorola Signature, que estreou por R$ 8.999 e hoje aparece bem mais barato.
- Olhe o tempo de atualização: um celular que recebe atualização por mais anos dura mais, e isso compensa o preço mais alto de entrada.

Como não pagar caro demais
Ainda assim, mesmo com a crise, dá para economizar se você seguir algumas regras simples que eu uso:
- Compare preços em mais de uma loja e veja o histórico. Muita promoção é preço inflado antes do desconto.
- Pagamento no Pix ou à vista costuma dar de 5% a 10% de desconto.
- Prefira loja oficial ou vendedor com boa reputação. Celular muito barato de vendedor desconhecido pode ser cilada, e às vezes nem é o produto original.
- Não pague por armazenamento que você não usa. Se você guarda tudo na nuvem, 128 GB ou 256 GB resolvem.
Minha indicação para quem quer comprar agora
Se eu tivesse que indicar um celular intermediário para comprar agora, antes de novos aumentos, seria o Moto G77. Ele tem 8 GB de RAM, câmera de 108 MP e custa menos de R$ 1.700 em boa parte das lojas. É um aparelho com memória suficiente para aguentar alguns anos sem ficar lento, que é justamente o que mais importa em tempos de RAM cara. Eu falo mais dele na análise Moto G77 vale a pena?.
📱 Nossa indicação: Motorola Moto G77 (8 GB de RAM)
Câmera de 108 MP, 8 GB de RAM e ótimo custo-benefício. Confira o preço atualizado, o frete e o parcelamento.
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Conclusão: o celular vai ficar mais caro mesmo?
O celular vai ficar mais caro, e isso não é boato: o preço da memória disparou por causa da corrida da inteligência artificial, e o custo já está chegando às lojas, seja em preço mais alto, seja em menos RAM pelo mesmo valor.
Portanto, para quem precisa trocar de aparelho, a melhor estratégia é não ficar esperando uma queda que talvez não venha tão cedo. Aproveite os modelos já lançados que estão em promoção, priorize pelo menos 8 GB de RAM quando possível e compre em loja confiável.
E você, já percebeu os preços subindo na hora de pesquisar celular? Conta aqui nos comentários.
Perguntas frequentes
Até quando vai a crise da memória RAM?
Ainda não há data definida. A IDC e a Abinee falam em pressão nos preços durante 2026 e 2027.
Os celulares baratos também vão subir?
Sim. Além do preço, há o risco de modelos de entrada virem com menos memória RAM.
Vale esperar a Black Friday para comprar?
Se você puder esperar, pode valer, desde que compare o histórico de preço e compre de lojas confiáveis.
Fontes: IDC (via Tecnoblog), TrendForce e Abinee (via Oficina da Net e Olhar Digital). Informações consultadas em outubro de 2026.
